TEMPO DE REFLEXÃO
Ao longo do trabalho que tenho vindo a desenvolver, tenho enfatizado que a estrutura familiar é tão importante, como o respirar é para a vida.
Foi esse o entendimento que soltei para que a minha criança desse azo a fazer tudo aquilo que fazia quando veio a este espaço no estado de inocência.
Mergulhei em águas profundas de rios que correm até ao infinito; joguei à bola na água desses rios; andei de canoa com a minha a minha Amada, e fomos à procura da nascente da vida, que embalava a água cristalina dos rios das nossas muitas vidas.
Toquei em cada pedra polida do fundo do rio, os peixes ingenuamente mordiscavam as minhas mãos à procura de comida.
Vi a minha neta Carolina saltar para dentro de água e pedir que brincasse com ela. Dei comigo a fazer diabruras como só as crianças sabem fazer. A Carolina sentia que também eu era uma criança, e aos saltos na sua inocência dizia –O vovô tá tó tó da cabeça…vovô gosto muito de ti do coração…o vovô diz que eu sou uma princesa.
É a vez do meu neto David dizer –Vovô vem brincar na areia comigo…vovô deixa-me regar contigo o jardim. À noite diz à mãe –Estou muito cansado, brinquei muito com o meu avô.
A Carolina chega junto de mim e diz –Vovô…põe a tua mão do meu dói dói e pede aos Amigos para o dói dói passar. É a vez do David –Vovô as minhas calças estão apertadas o cinto fez aqui um dói dói ao David, põe as tuas mãos e pede aos Amigos para que o dói dói passe.
A noite chega e tento contar as estrelas do céu. Pergunto ao meu guia Lucas se posso ter uma só para mim. Diz-me –Todas as estrelas te pertencem, todo o Universo te pertence. Mas não as apertes como tuas, se o fizeres, matas a sua liberdade, assim como a luz que ilumina o teu caminho.
Dei conta sem contar o tempo que o dia era maior do que eu tinha imaginado.
Eu podia fazer tudo aquilo que eu quisesse, e, ainda assim me sobrava tempo para escrever noite fora, como se a noite fosse apenas o prolongamento do dia, sem contudo sentir cansaço.
Valeu a pena todo o tempo que dedicámos a construir esta família.
“Ensina a criança os caminhos da vida e do Amor, que ela nunca esquecerá o que em Amor aprendeu”.
Era esse Amor que eu estava a receber.
Nestas férias revivi outros tempos do passado, mas não senti qualquer dor, apenas…nostalgia dos que comigo partilharam outros estágios da minha vida.
O que me ensinaram, e o muito que me Amaram.
Estava grato pelos momentos que me deram ontem; hoje, outros momentos estavam a ser vividos; outros desafios; somente igual, é o Amor, o Amor que o meu coração sente nos mistérios de uma alma liberta de preconceitos, e de frases feitas que o vento há muito levou.
Nestas férias também me sobrou tempo para passar energia a duas Amigas que estão de regresso a “Casa”. Pedi ao Deus em que eu acredito, energia para que a sua transmutação fosse consciente e sem revolta, conscientes de que este era o momento em que dizemos adeus às coisas efémeras, e, nos fixamos na vida que nunca morre.
Uma Amiga estava na agonia da morte. Perguntei-lhe se estava consciente do que eu lhe estava a transmitir. Abriu por uns instantes os olhos e acenou com a cabeça dizendo que sim. Partiu oito dias depois de ter estado com ela.
A outra Amiga estava consciente e muito lúcida. Pedia-me que eu pedisse aos Amigos que a levassem durante o sono, porque estava em muito sofrimento. Falei-lhe da “passagem”, falei-lhe da dimensão que a sua alma iria atravessar, falei-lhe do seu novo mundo. Aceitou em consciência o que lhe disse, e fizemos um pacto, eu iria sentir quando ela partisse.
Nestas férias também tentei dar uma força a Amigas que estavam em desespero. Quando não estamos controlados pelo tempo, ele dá para tudo o que quisermos fazer.
Nestas férias senti o quão importante era a minha missão e o meu trabalho.
Agradeci à vida o propósito que me trouxe a este espaço e tempo.
Agradeci ao Deus em que acredito a família que me foi dada, sem ela…eu não seria o que hoje eu sou…uma criança que brinca com as outras crianças, uma criança que sabe dizer obrigado à vida.
O meu Amigo professor ouviu em silêncio a minha alma – só os Mestres sabem ouvir o silêncio da alma – e diz:
“A tua criança e a tua alma são uma só, a ilusão que habita na face do homem diz que são duas.”
Foram somente estas as suas palavras, que a minha alma agradeceu tanta sabedoria, dita com um Amor que jamais o homem pode entender.
O meu Amigo carteiro espera pacientemente que eu termine esta carta sem me interromper. Algo difícil para o homem que corre com o tempo.
Diz que apenas voltou a este espaço e tempo para ensinar a mais difícil das artes de um feiticeiro, a paciência. Quanto ao tempo…diz que ele não existe.
Amigos, até à próxima volta do correio.

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