domingo, 31 de março de 2013

     O DESPERTAR DO VERDADEIRO FEITICEIRO




 
«Essa hora virá sobre o mundo inteiro, para colocar à prova os habitantes da Terra.» Apocalipse 3:10

 

Meu Amigo Professor, ao longo dos tempos muitos Mestres Feiticeiros têm vindo transmitir os seus ensinamentos.
Que ensinamentos são esses?
--Que todo o homem nasceu para ser feiticeiro, ou seja, usar os conhecimentos que estão para além do tempo e do espaço.
Que há tantos caminhos quantos são os feiticeiros.
Vieram ensinar a desmontar a complexa máquina da automatização da sociedade dos feiticeiros adormecidos.
Tiveram a coragem e a ousadia de ser diferentes, porque usaram a arte e a magia de serem imprevisíveis.
Os feiticeiros comuns são previsíveis, repetem rotinas através da automatização de uma mente racional e previsível. Tudo o que é imprevisível à mente racional, rejeitam. São tão previsíveis que constroem um céu e uma terra em areias movediças, fazendo imensos planos destituídos de qualquer consistência.
Os feiticeiros do passado também tentaram construir esse céu e essa terra, também fizeram muitos planos – mas esses planos atrapalhavam os planos que esvoaçam acima da mente previsível de um feiticeiro. Mas quando voavam acima dessa mente, deixavam-se conduzir pelas suas vassouras de cristal.
Só tiveram que esperar o momento certo para que a sua vassoura de cristal avançasse em direção à sua ilha mágica, o grande objetivo da sua missão.
No entanto nenhuma vassoura de cristal ali teria ali chegado se os feiticeiros não tivessem cuidado dela. Para que o feiticeiro siga o caminho certo, deve manter a sua vassoura de cristal acima da mente previsível, e mantê-la em perfeita ordem para que ela possa chegar à tão desejada ilha mágica. Ao ganhar a força para poder voar acima da ilusão, já não terá dúvidas do seu caminho.
O feiticeiro tem de tratar bem a sua vassoura de cristal; mantê-la limpa e a brilhar; disciplinar os feiticeiros intrusos que querem tomar conta da sua vassoura, contudo sem ser rigoroso.
Chegará então o dia que vai encontrar a sua ilha mágica, e não hesitará em reconhece-la quando a encontrar.
Um projeto tão grandioso não tem tempo nem espaço, porque exige do feiticeiro uma inteira libertação daquilo que é previsível.
Os que estão automatizados e em sono profundo fazem rituais para mostrar ao exterior que são fiéis a esse tempo e espaço, que estão presos a ele. É o modo de levar o feiticeiro à consciência que está dentro de uma prisão, que ela é a dona da sua liberdade. Uns tentam através das religiões e das filosofias desprenderem-se dessa prisão, outros seguem magias e iniciações secretas e obscuras para não estarem limitados por ela. Mas só o feiticeiro que voa acima do que é previsível, consegue libertar-se dessa prisão limitadora e castradora que é o tempo e o espaço.
Se o feiticeiro não fizer qualquer esforço para se libertar dessa prisão, ele se libertará naturalmente dela, quando em liberdade voar acima da mente previsível, através das suas próprias experiências. Quer dizer que, a recompensa da ilha mágica surge no momento em que o feiticeiro já não precisa de fazer qualquer esforço para lá chegar.
Como é possível tomar essa consciência?
As experiências acontecem todos os dias dentro dele mesmo – é a sua experiência diária. Se ele não limpar diariamente as sementes que os ventos trazem para dentro da sua vassoura, ele corre o risco que essas sementes se multipliquem e fiquem fora do seu controle. Mas como ele não controla nada, nem se apercebe que na sua própria vassoura estão a crescer plantas indesejáveis à sua própria evolução.
Tudo isso acontece para que tome consciência que tem todas as condições de encontrar a sua ilha mágica, e de atingir em liberdade a plenitude dessa ilha. 
É preciso que sinta que todos os meios que ele até ali tem usado para evoluir, não passam de meios subtis e obscuros para encontrar a sua ilha. Eles não passam de construções arquitetadas pelo ego que lhe diz – que é dono e senhor da sua vassoura de cristal e que o leva à ilha mágica.
Só quando o feiticeiro sentir que a vassoura de cristal lhe pertence, e que a ilha que o ego lhe quer dar não é mais do que a pura ilusão no tempo e do espaço, ele começará a pacificar os muitos desejos do ego, e, finalmente acordará do seu longo sono.
Encontrará finalmente a sua verdadeira ilha mágica, que ego algum lhe poderá dar. Começa a entender que o poder previsível do ego apenas corrompe e destrói.
Sente então dentro de si a Paz que a verdadeira ilha mágica lhe transmite. Abandona definitivamente a ansiedade de ter conhecimento, para finalmente o obter. Vai dar-se si próprio para encontrar o verdadeiro Amor, que só a ilha mágica conhece.
Só quando a sua vassoura de cristal chegar em liberdade à ilha mágica, ele entenderá que o caminho entre ele e o Grande Mestre dos mestres, está mais próximo do que nunca.
Vive então sem qualquer ansiedade o grande momento da sua longa espera, que é entender que o que existe na ilha mágica é alguma coisa à qual ele entende, não ser nada.
É quando na realidade ele começa a Ser tudo.
Chegar à ilha mágica do Ser é fácil, só as circunstâncias que estão à sua volta impedem o feiticeiro de encontrar o Ser.
Só quando o feiticeiro em liberdade voar na sua vassoura de cristal acima da sua ilha mágica, ele é dono de si mesmo.
Na ilha mágica todos voam em liberdade.
--Obrigado Professor por esta aula de metáforas puras, que só a magia de um verdadeiro feiticeiro sem ego entende.
O meu Amigo Carteiro diz que sempre foi um feiticeiro discreto, porque usa o truque do disfarce para não lhe matarem a forma. Cristo e Buda também eram mestres feiticeiros, mas deram muito nas vistas, por isso mataram a sua forma.
Amigos até à volta do correio se o Deus em que acredito o permitir, mas onde quer que eu esteja, estou vivo.

 
Carlos Campos

 

 
 
 

sábado, 30 de março de 2013





 

    CRISTO ESTÁ VIVO

 
«Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!
Lucas  23: 34

 
Meu Amigo professor, Cristo foi barbaramente assassinado, não porque ele tenha sido bom ou mau, ou porque tenha vindo para morrer na cruz e libertar os famigerados pecados do homem. Foi morto porque teve a coragem de desafiar a autoridade religiosa que ditava na altura os destinos do homem. Cristo não é o resultado da imaginação humana, Ele está para além da filosofia intelectual do homem, está para além de qualquer religião ou afim. Se Ele hoje voltasse à terra na forma humana, poderia viver em qualquer recanto da terra, em qualquer situação e sob quaisquer condições sociais, porque em todo o lugar onde estivesse estava bem. Ao contrário do homem comum que leva a vida a lamentar-se; desejar sempre o que não tem; matar em nome de qualquer coisa. Nestas condições humanas limitadas em que vivemos, Cristo seria sempre morto da mesma maneira de há dois mil anos atrás. O homem voltaria a mata-lo, qualquer que fosse o tempo ou o lugar onde Ele se encontrasse. Cristo na sua plena Energia, mostra-nos realidades bárbaras mas subtilmente encobertas na existência do homem comum, insensível às mudanças de atitude perante a Vida. O homem comum tem procurado incessantemente em Cristo, a chave que lhe possa desvendar o mistério da sua morte, e quais as consequências que ela criou na sua vida, e qual o destino que lhe está reservado, por não acatar a mudança.
--Carlos o homem vive o drama e a tragédia da morte de Cristo, daí resulta a dificuldade para entender o que está para além dela, o que está para além do tempo e do espaço. O drama humano não está apenas na morte do Cristo, mas também no nascimento, um nascimento enfraquecido por não haver Amor, e foi por falta de Amor que Cristo sucumbiu às mãos do homem. Estão a matar o Cristo logo à nascença, quando rejeitam o Amor de uma criança, quando rejeitam a Vida que está no ventre da mulher.
--Professor por que razão Deus não intervém no drama humano!
--Porque procuram o Cristo na razão, e Ele está para além da razão limitada do homem comum.
--Porque falaste várias vezes em homem comum.
--Porque quem vive na razão é o homem comum, o outro voa. Por isso sabe onde se encontra a chave do segredo, enquanto o homem comum apenas escreve sobre o segredo, escreve sobre aquilo que não conhece.
--Por isso não o encontra?
--Carlos o homem vai continuar a andar às voltas do muro das lamentações, enquanto não tiver entendido de maneira integral e subjetiva o verdadeiro caminho de Cristo.
Ele representa o segredo da morte e da Vida do homem.
Cristo morreu há dois mil anos, e continua a morrer todos os dias porque ele é Vida. É essa Vida que o homem comum continua a matar. No passado e no presente da vida do homem comum, há um abismo inultrapassável entre a fantasia da Vida e a capacidade do homem de viver a verdadeira Vida.
O Cristo morre porque o homem ama a Vida mais do que a sua própria estrutura lhe permite. Ele é completamente incapaz de receber a Vida tal como ela é criada por Deus, regida pelas leis da Energia Vital Cósmica, de um Universo dentro de muitos Universos, Universos que o homem comum ainda não conhece, mas que o outro o Guerreiro, voa sobre eles.
--Tem o homem salvação?
--A esperança dá forças e faz cintilar a chama do fogo interior.
Mas se o homem se mantiver adormecido, imobilizado no seu casulo de hibernação perpétua, continuará a matar a Vida, continuará a matar o Cristo que habita do seu secreto.
--Meu Amigo Professor no limbo da Vida onde me encontro, entendi onde queres chegar com as tuas sábias palavras. Na realidade as culturas do homem comum nascem e morrem, as sociedades criam para logo desaparecer. Criámos guerras às nações vizinhas para esquecer a morte de Cristo; fazemos revoluções patéticas dizendo a nós próprios que somos livres, quando não o somos. Vivemos uma mentira constante, mas por ser repetida tantas vezes acabou por ser verdadeira na nossa ilusão.
Temos agindo ininterruptamente da mesma maneira, agindo com os mesmos erros do passado. Chego à conclusão que a razão é capaz de não entender, que poucas ou mesmo nenhumas mudanças foram feitas nestes últimos decénios. 
Por isso, depois de termos destruído a forma do Cristo, não a sua essência, só nos resta reavivar o Cristo sem forma, vivo, ativo entre os Guerreiros, para que os homens comuns despertem do seu longo sono.
Cristo não morreu, está vivo, e esse é o grande drama do homem comum, porque teme a morte em vez de aceitar.
O meu Amigo Carteiro diz que conhece muito bem Cristo, ele é o portador de muitas cartas do homem comum, porque o outro não precisa de lhe escrever, tal como o Carteiro, está sempre com Ele.

Até à próxima volta do correio, se essa for a Sua vontade.
Carlos Campos
   

 

 

 

 
 
   A MENTE ASSASSINA

 «Disciplina a tua mente e presta atenção aos conselhos da experiência.» Provérbios, 23:11

 
Meu Amigo Professor, o homem ainda hoje se move como se ainda estivesse na caverna de Platão, desconhecendo por completo o homem real, o homem espiritual.
As ações arbitrárias do homem contemporâneo levam-me a sentir que ele é um assassino, que é capaz de matar só pelo prazer de matar.
Helena Blavatsky no seu livro A Voz do Silêncio diz:  
«A  Mente é o grande assassino do Real. Que o discípulo mate o Assassino.»  
O discípulo a que ela se refere é o homem real – o homem espiritual. Ela fala da mente oscilante que não se fixa em coisa alguma, que está sempre à procura a maneira de escravizar o homem às suas pretensões, até mesmo fazer dele um assassino.
Carlos, a principal causa desta divergência é porque o homem se iludiu com as manipulações do ego. Foi ele que alimentou essa diferença com astúcia para controlar a mente, para ser dono absoluto do homem.
A verdade é que o homem não usa a mente como um pensador, aliás, é a mente que comanda o pensador, absorvendo o discípulo - homem real – deixando-o como um mandante da mente.
Tudo começa pela dificuldade do homem não saber quem é!
Quem é ele neste emaranhado de interpretações filosóficas, em que uns dizem que ele é o pensador pensante daí o criador, e logo de seguida já não é! Para passar a ser o assassino da mente.
Enquanto o homem real, o homem espírito, o caminhante, não disciplinar a mente, ela faz dele um assassino, porque mata o melhor que existe nele, a sua verdadeira essência.
O meu Amigo Professor fala a língua dos sábios, uma linguagem ainda muito precoce para o homem comum.
Aquele que saiu da limitação do ego, já entendeu que o ego é o principal causador da sua mente assassina.
Através dele o homem limitou o seu campo de energia, a expansão da consciência intensificada, que lhe permitia ser ele o próprio criador.
A castração do homem comum, deve-se ao facto de permitir que a sua alma seja objeto de avaliação.
Ao permiti-lo, está também a consentir que a sua mente fique prenhe do que os outros dizem da sua alma, limitando o seu campo de energia. A mente descontrola-se e torna-se assassina.
Em termos reais e objetivos embora violentos, o homem que hoje pode ser considerado pelo mundo dos homens sublime, cheio de virtudes, pode amanhã ser um assassino e matar.
Porquê esta dualidade?
Este será o melhor exemplo da mente assassina, que pode matar às ordens de uma religião organizada, organizada por assassinos.

«No Japão há uma das muitas religiões que eles seguem, que tem um ritual da seguinte maneira: todos os anos os sacerdotes escolhem um homem espírito entre os habitantes da cidade. Não são escolhidos sacerdotes, são escolhidos cidadãos comuns.
Nesse ano foi escolhido um jovem com vinte e sete anos para ser o homem espírito. É uma honra ser eleito entre muitos candidatos, que apenas ficam três depois de feita uma grande seleção.
O homem espírito terá de percorrer trezentos metros até ao templo, onde cinco mil pessoas o aguardam para lhe tocarem, porque se lhe tocarem afastam a má sorte durante um ano, ou seja, até à próxima cerimónia.
O mais dramático é que o homem espírito pode ser morto por esta avalanche de mentes criminosas, e não há lugar a qualquer punição para os assassinos. Este ano o homem espírito levou três horas até chegar ao templo. E para conseguir entrar dentro do templo, foi à custa dos braços violentos dos guardas - porque tudo nesta cerimónia é violência -  a abrir caminho para conseguirem a abrir o portão, mas os selvagens aos gritos alimentados por muito álcool não permitiam. Queriam continuar a massacrar o homem espírito, para terem sorte durante um ano. Meio moribundo e já quase sem pulso, e com e carne dilacerada pelos pés, mãos e cabeçadas de mentes criminosas, lá conseguiu entrar no templo.
Matar o homem espírito seria um mal menor, o importante era manter o circo, para que os assassinos se saciassem dos seus actos selvagens.
O homem espírito - um jovem de estrutura musculada e no auge da vida - esteve de repouso durante oito horas. Ao fim das oito horas voltou ao templo apoiado por acólitos, porque mal se consegui pôr em pé, assim como o seu corpo estava severamente marcado por mãos assassinas em nome de uma religião.
Teve de carregar com um pão com mais de trinta quilos que tinha sido feito nas vésperas, para enterrá-lo longe do templo, enterrando também com ele a má sorte.
O jovem saiu do templo seguro pelos dois acólitos, não se sabendo ao certo a extensão das atrocidades, com o pão amarrado às costas arrastando os pés no chão, porque o seu corpo já não podia mais com tanta violência.
O circo encerrou as portas por um ano.»

Palavras para quê!
Esta história da vida real é explícita, mostrando que a mente é assassina.
Um ego exacerbado pode conduzir uma mente fraca a matar.
Helena Blavatsky diz: «que o discípulo mate o assassino».
Querendo dizer que o homem espiritual mate a mente.
Eu diria da seguinte maneira: «que o discípulo discipline a mente, para que ela lhe obedeça.»
Esse é seu trabalho de uma vida inteira.
Não se pode matar o que vive dentro de homem.
Ele é um criador, um criador nunca mata, une.
O meu Amigo Carteiro diz que o homem ainda está anos de luz do conhecimento.
Quando aprender a Amar, não alimenta mais religiões e seitas, que para ele são todas iguais, umas de uma maneira, outras de outra todas elas são assassinas porque matam o belo, a busca do homem, a conquista da sua verdadeira identidade.

Até à próxima volta do correio, onde quer que eu esteja, estou vivo.
Carlos Campos
 

 

sexta-feira, 29 de março de 2013

    PROCURA DO CRISTO INTERNO




 
Existe um trabalho coletivo, uma fronteira que passa da fase experimental para uma fase de maturidade. Essa fronteira marca a transição de um ambiente onde os seres humanos se vão abastecer, regenerar, energizar, numa palavra, curar.
Não podes amar ninguém sem te amares. Não começas a aprendizagem sem primeiro te amares.
Sempre se começa amando o outro na sua totalidade, naquilo que ele revela de pleno e naquilo que ele manifesta de incompleto. É no incompleto do outro que o nosso verdadeiro amor se revela. No entanto, esse  estágio da vida do coração, que é o amor fraterno, marca a vibração dos ímanes dos grupos numa primeira fase vibratória.
Quando nós nos dirigimos à atração da irmandade cósmica, começamos por levar o nosso problema, o nosso processo, e como estes ímanes que estão nos planos internos são uma expressão da Lei da Aceitação, da Compaixão, a tradição diz que: "ninguém que bate à porta deixará de ser aceite". Isto marca uma boa parte da psicologia de grupo no início de um trabalho espiritual.
Há um momento em que um trabalho só pode avançar na sua capacidade de conter a vibração das iniciações que a humanidade procura sem saber.
 Avançar na qualidade de amor que vêm do coração e da mente divina e que precisam de canais vivos para chegar aos outros. E há um momento em que um grupo necessita de passar por uma revolução energética na qual as pessoas começam a ser convidadas a trazer a sua luz, não a sua agitação, o seu problema. Isto só é possível se a lei da compaixão, que consiste em aceitar o outro e todos os seus aspetos, já tiver sido demonstrada por todos os aspetos do grupo.
Um grupo não pode evoluir para um estado de consciência mais profundo, enquanto não excluir a dualidade, a angústia, e sentir que a lei da compaixão já foi demonstrada, ao não excluir ninguém.
Trata-se de nós atrairmos a nossa luz.
Trata-se de crescer ao ponto de chegar a uma consciência no qual a nossa história pessoal ou o nosso passado não conta.
Isso não é um estágio fácil de manter.
Significa que o seu ser pleno de luz e pela luz que ele é, e que ele traz, dá-se uma multiplicação da luz grupal.
Esta parece ser a diferença entre os grupos de ovelhas (em que as pessoas trazem as suas crises e utilizam a experiência do divino como uma compensação) e os grupos de pastores.
O "grupo de pastores" um grupo no qual cada ser entra segurando uma chama, a sua chama, e pertence aos grandes corações livres, combinar as chamas de cada um de nós de uma forma misteriosa e invisível.
Produzir uma tapeçaria de luz com as chamas de cada um de nós cujo desenho necessariamente se expande.
Há seres aqui que estão criando laços internos que vão durar milénios, outros que estão desfazendo laços que duraram milénios.
Esta capacidade de entrar num trabalho trazendo a sua luz, não significa que não possamos ver a situação do outro, a dor do outro, o processo dele, mas a fase em que estamos a entrar é uma fase de observador passivo
Como é que se gera esta luz?
Desistam de olhar para o lado, para trás ou para a frente. Ninguém vai fazer o trabalho por ti.
A viragem da página faz-se quando tu compreenderes que tu vais fazer o trabalho por ti.
Qualquer tentativa de acelerar os outros é uma projeção da tua própria estagnação. Eu tenho que parar e olhar para o meu trabalho que é de uma natureza auto perfuradora e isto é intransmissível.
A fase em que estamos a entrar dá origem a um trabalho que é intransmissível. É parar de falar, de pensar, de ter opinião e olhar para si e perfurar as cataratas internas até sentir essa força dentro dele.
Trata-se de procurar o Cristo interno definitivamente.
hegámos finalmente à condição em que percebemos que um peregrino é um ser que caminha sozinho sem esperar pelos outros.
Não há nada que te impeça  de iniciar e desenvolver a descoberta do ser, a busca interior.
Esse olhar profundo para dentro de nós gera vibração.
O que é que te impede de viver esse mergulho?
NADA!
Este acto fundamental não pode ser transferido para ninguém.
Nós estamos num tempo em que só aqueles que superarem o emocional, o mental e o mental superior vão puder estar de pé, porque as pessoas focadas nos outros planos vão precisar de ajuda.
A pergunta é:
"O que é que tens feito com as tuas horas mais sagradas?
O que é que tens feito com os momentos de ouro, para entrar uma energia superior?"   
"Eu estava lá na altura em que a energia me procurou?"
Então o trabalho atual implica, antes de mais nada,  entrar em ti até ao âmago: na caixa craniana; no tórax; no coração; na pineal. Entrar, entrar, entrar e quando encontrares uma barreira fica ali até que ela se abre, penetrando no silêncio. A realização do Cristo é um assunto individual.
A travessia para os mundos extraterrenos é grupal.
Mas primeiro é necessário compreender que vocês não vêm aqui para realizar o Cristo, é a realização do Cristo em vocês que vos permite vir aqui.
Vibramos em ressonância com a alma e que está impregnado de amor cósmico.
A viajem astral é uma hipotermia espiritual.
Na hipotermia o metabolismo do corpo é sujeito a uma temperatura tão baixa que o sangue concentra-se no coração e no cérebro.
Na viajem astral tu sais realmente do corpo físico.
Implica uma paralisia do sistema nervoso e do cérebro.
A única forma de fazer vibrar a consciência mais profunda é por uma concentração amorosa, secreta, massiva no centro do ser, no Cristo.
Não há cura, não há nada fora do Cristo.
Na lei da compaixão o Cristo vem ao teu encontro mas na lei do amor ele pára e espera que tu vás ao encontro dele.
E quem diz o Cristo diz a energia da Mãe divina.
Há uma luz da luz que suspende a desagregação e a morte.
Mas como é que vamos trazê-la ao de cima?
O trabalho começa quando tu reencontras a tua dignidade: "eu sou uma consciência divina que encarnou num ser humano. Este trabalho de dar à luz o Cristo é individual e cada ser tem de encontrar uma forma de atravessar as membranas, de romper a ilusão.
Cada ser tem de encontrar a forma de gerar o impulso, a vida que rompe com a velha teia. Respira fundo e pede autorização para mergulhar no mistério da vida. Isto tem a ver diretamente com o instinto do sagrado, do superior, do permanente em nós, os mecanismos de auto revelação são postos em movimento.
É quando um ser tem autorização e aceita mergulhar, a magia da criação abre o portal da cura pelo amor. A aventura é demasiado preciosa. O tempo é demasiado urgente. É de uma beleza indizível o que podem encontrar.
E se na primeira expedição tiverem que voltar para trás porque a sonolência, a inércia, os hábitos, o medo, a tendência repetitiva ou as imagens de infância, porque todos nós herdamos auto imagens distorcidas pelos nossos pais, pelos avós, se essas imagens conseguirem outra vez vos prender, então venham, voltem para casa, façam o prato de flocos de aveia com iogurte e nozes e voltem lá outra vez.
Sempre!
Mas eu posso dizer: "eu não encontro, eu não sinto, não acontece".
Eu tenho que saber que, se eu for fiel e se fizer isso sem nenhuma motivação exterior, mas porque é o único caminho para mim, então eu vou conseguir.
Então tu precisas estar quieto e ouvir a VOZ.
Quando a consciência entra ainda num nível mais interno, o corpo é posto em movimento e aí não se sente mais depressão, angústia ou tristeza.
É um plano afetivo de consciência que cura o corpo.
A experiência de mal-estar emocional é estabilizada.
Nós, como grupo, temos facilidade de ir ao encontro do Cristo centrar-nos na sua chama. Não olhes para nada, olha para ti.
Tu tens uma oportunidade, o que equivale a dizer que tens um trabalho para fazer, o que implica que estás em movimento.
Isto está à tua frente agora.
Perdoem ao mundo.
Sejam o Amor.
Plantem a flor de vocês mesmos.
Tragam o mundo para a consciência da compaixão.
Encontremos o centro.
Façamos a ligação entre o possível e o impossível.
O próximo passo é começar a viver o desdobramento e a multidimensionalidade.
Vocês vão encontrar o Cristo sozinhos.
Cada um de nós precisa de aprender a andar com Deus sozinho. Isso implica uma capacidade individual de encontrar o Cristo sozinho.
É no silêncio que está o grande alimento da alma.
É no deserto do silêncio que começas a sentir a voz e sem ouvir esta voz tu não tens luz para dar.

Carlos Campos

 

 

 



    MOMENTOS INEVITÁVEIS

 

Existem momentos inevitáveis, em que uma tristeza profunda torna o homem angustiado.
É então que os desejos perdem temporariamente sua força, as posses e até mesmo a existência da sua realidade. Ele parece estar fora do mundo ativo.
E o que é pior, é que a atividade humana perde o seu significado, um ir a todo o lugar e não chegar a lado nenhum, um tocar insano de instrumentos que não produz música alguma.
É então, também, que um terrível anseio suicida entra no seu sangue, ele precisa usar o seu lastro mental para não dar cabo de si mesmo.
Mesmo assim, esses momentos negros são intensamente preciosos, pois colocam seus pés com firmeza no caminho superior.
Poucos percebem isso, mas todos se queixam. A autodestruição à qual o homem é impelido por essas terríveis experiências de vida não é um acto físico brutal, mas algo subtil – um suicídio de pensamento, emoção e vontade descontrolada.
Ele está sendo chamado, na verdade, a morrer para o seu ego, a tirar da sua vida os desejos e paixões, cobiças, e ódios, a aprender a arte de viver sem dependências.
E foi esse mesmo chamado que Jesus proferiu quando disse: “Aquele que perder sua vida encontrá-la-á.” Assim, as tristezas da terra não são mais que meios passageiros para um fim eterno, um processo pelo qual temos de aprender como expandir a consciência, do Eu mais profundo, o Eu Superior. Há certos acontecimentos que nos fazem ir ao encontro da procura ou, se já estamos nela, prepara-nos para um avanço maior.
Não são momentos agradáveis pois vão abanar a estrutura do nosso ego.
Mas é apenas por meio dessas situações aparentes que nos são trazidas pelas circunstâncias, que somos compelidos a aceitar um rumo que, espiritualmente, muito nos vai beneficiar no final. Conscientemente ou não, o homem diz a si mesmo, em certo sentido: “Sozinho, por mim mesmo, não posso suportar este destino adverso.
Preciso procurar ajuda e conforto fora de mim.”
Ele vai então a outro homem ou a uma instituição, mas, no final, ele vai ao encontro do Deus em que ele acredita.
Todo o progresso Espiritual é individual.
Cada homem cresce por si mesmo.
O homem deve ser o seu próprio instrutor interno.
O progresso real do homem é fruto do seu próprio trabalho, e não da boa vontade dos outros.
Quando o homem é levado a clarificar o seu próprio pensamento, conhecimento e consciência, ele volta a atenção para aquilo em que realmente acredita. Quem conseguir superar a tendência à extroversão e à materialização desta nossa época, tem de ser uma pessoa com uma vontade inquebrantável.
Na verdade, uma reviravolta geral em direção à vida espiritual não é uma esperança para o presente imediato, mas para o futuro distante.
Isto pode parecer pessimismo.
Mas vai desencorajar apenas os que estão oprimidos pela realidade do tempo e não percebem a verdadeira natureza dele.
Nunca é tarde demais, em nenhum período da vida, mesmo na velhice, para percorrer com firmeza o caminho espiritual e obter suas recompensas.
Os que preferem a opinião do seu próprio ego às intuições impessoais do seu Eu Superior, permanecem na escuridão do ego.
Há necessidade de silêncio depois do barulho, de paz depois da agitação, e de reflexão depois da atividade.

 
"A MORTE NÃO É A MAIOR PERDA:
A MAIOR PERDA DA VIDA É O QUE MORRE DENTRO DE NÓS ENQUANTO VIVEMOS".

 
No momento dessa passagem de consciência, um raio intenso de luz ilumina o ponto mais alto da cabeça quando a pessoa deixa o plano da terra pelo chacra da coroa.
A morte não é mais do que a transição de um estado de consciência o para outro. Todas as vezes que obstruímos a maravilhosa energia vital, impedindo de fluir, criamos uma pequena morte. Quando expandimos a nossa perceção, a parede entre a realidade espiritual e a realidade física, dissolve-se. A morte não é mais do que a libertação da parede da ilusão quando estamos prontos para prosseguir, é ir ao encontro de uma realidade maior.
O corpo físico dissolve-se, mas nós passamos para outro plano de consciência.
Quando deixamos o corpo, sente-se que é um ponto de luz dourada, mas sente-se ainda assim, que somos nós mesmos.
A morte liberta as formas.
O que acontece depois da morte é tão indescritivelmente glorioso que a nossa imaginação e nossos sentimentos não bastam para formar sequer uma concepção aproximada a SEU respeito...
Partir não é mais do que libertar a mente, não é mais do que continuar a viver. Será que alguma vez chegamos a partir?

Carlos Campos