Meu
Amigo Professor, ao longo dos tempos muitos Mestres Feiticeiros têm vindo
transmitir os seus ensinamentos.
Que
ensinamentos são esses? --Que todo o homem nasceu para ser feiticeiro, ou seja, usar os conhecimentos que estão para além do tempo e do espaço.
Que há tantos caminhos quantos são os feiticeiros.
Vieram ensinar a desmontar a complexa máquina da automatização da sociedade dos feiticeiros adormecidos.
Tiveram a coragem e a ousadia de ser diferentes, porque usaram a arte e a magia de serem imprevisíveis.
Os feiticeiros comuns são previsíveis, repetem rotinas através da automatização de uma mente racional e previsível. Tudo o que é imprevisível à mente racional, rejeitam. São tão previsíveis que constroem um céu e uma terra em areias movediças, fazendo imensos planos destituídos de qualquer consistência.
Os feiticeiros do passado também tentaram construir esse céu e essa terra, também fizeram muitos planos – mas esses planos atrapalhavam os planos que esvoaçam acima da mente previsível de um feiticeiro. Mas quando voavam acima dessa mente, deixavam-se conduzir pelas suas vassouras de cristal.
Só tiveram que esperar o momento certo para que a sua vassoura de cristal avançasse em direção à sua ilha mágica, o grande objetivo da sua missão.
No entanto nenhuma vassoura de cristal ali teria ali chegado se os feiticeiros não tivessem cuidado dela. Para que o feiticeiro siga o caminho certo, deve manter a sua vassoura de cristal acima da mente previsível, e mantê-la em perfeita ordem para que ela possa chegar à tão desejada ilha mágica. Ao ganhar a força para poder voar acima da ilusão, já não terá dúvidas do seu caminho.
O feiticeiro tem de tratar bem a sua vassoura de cristal; mantê-la limpa e a brilhar; disciplinar os feiticeiros intrusos que querem tomar conta da sua vassoura, contudo sem ser rigoroso.
Chegará então o dia que vai encontrar a sua ilha mágica, e não hesitará em reconhece-la quando a encontrar.
Um projeto tão grandioso não tem tempo nem espaço, porque exige do feiticeiro uma inteira libertação daquilo que é previsível.
Os que estão automatizados e em sono profundo fazem rituais para mostrar ao exterior que são fiéis a esse tempo e espaço, que estão presos a ele. É o modo de levar o feiticeiro à consciência que está dentro de uma prisão, que ela é a dona da sua liberdade. Uns tentam através das religiões e das filosofias desprenderem-se dessa prisão, outros seguem magias e iniciações secretas e obscuras para não estarem limitados por ela. Mas só o feiticeiro que voa acima do que é previsível, consegue libertar-se dessa prisão limitadora e castradora que é o tempo e o espaço.
Se o feiticeiro não fizer qualquer esforço para se libertar dessa prisão, ele se libertará naturalmente dela, quando em liberdade voar acima da mente previsível, através das suas próprias experiências. Quer dizer que, a recompensa da ilha mágica surge no momento em que o feiticeiro já não precisa de fazer qualquer esforço para lá chegar.
Como é possível tomar essa consciência?
As experiências acontecem todos os dias dentro dele mesmo – é a sua experiência diária. Se ele não limpar diariamente as sementes que os ventos trazem para dentro da sua vassoura, ele corre o risco que essas sementes se multipliquem e fiquem fora do seu controle. Mas como ele não controla nada, nem se apercebe que na sua própria vassoura estão a crescer plantas indesejáveis à sua própria evolução.
Tudo isso acontece para que tome consciência que tem todas as condições de encontrar a sua ilha mágica, e de atingir em liberdade a plenitude dessa ilha.
É preciso que sinta que todos os meios que ele até ali tem usado para evoluir, não passam de meios subtis e obscuros para encontrar a sua ilha. Eles não passam de construções arquitetadas pelo ego que lhe diz – que é dono e senhor da sua vassoura de cristal e que o leva à ilha mágica.
Só quando o feiticeiro sentir que a vassoura de cristal lhe pertence, e que a ilha que o ego lhe quer dar não é mais do que a pura ilusão no tempo e do espaço, ele começará a pacificar os muitos desejos do ego, e, finalmente acordará do seu longo sono.
Encontrará finalmente a sua verdadeira ilha mágica, que ego algum lhe poderá dar. Começa a entender que o poder previsível do ego apenas corrompe e destrói.
Sente então dentro de si a Paz que a verdadeira ilha mágica lhe transmite. Abandona definitivamente a ansiedade de ter conhecimento, para finalmente o obter. Vai dar-se si próprio para encontrar o verdadeiro Amor, que só a ilha mágica conhece.
Só quando a sua vassoura de cristal chegar em liberdade à ilha mágica, ele entenderá que o caminho entre ele e o Grande Mestre dos mestres, está mais próximo do que nunca.
Vive então sem qualquer ansiedade o grande momento da sua longa espera, que é entender que o que existe na ilha mágica é alguma coisa à qual ele entende, não ser nada.
É quando na realidade ele começa a Ser tudo.
Chegar à ilha mágica do Ser é fácil, só as circunstâncias que estão à sua volta impedem o feiticeiro de encontrar o Ser.
Só quando o feiticeiro em liberdade voar na sua vassoura de cristal acima da sua ilha mágica, ele é dono de si mesmo.
Na ilha mágica todos voam em liberdade.
--Obrigado Professor por esta aula de metáforas puras, que só a magia de um verdadeiro feiticeiro sem ego entende.
O meu Amigo Carteiro diz que sempre foi um feiticeiro discreto, porque usa o truque do disfarce para não lhe matarem a forma. Cristo e Buda também eram mestres feiticeiros, mas deram muito nas vistas, por isso mataram a sua forma.
Amigos até à volta do correio se o Deus em que acredito o permitir, mas onde quer que eu esteja, estou vivo.




