sexta-feira, 31 de maio de 2013

MORTE - REGRESSO A "CASA"




 
 
Morte
Regresso a Casa

 
Meu Amigo Professor, quando avançamos no tempo um medo aterrador invade as nossas crenças, invade as nossas muitas dúvidas.
Sim estou a falar da morte, esse tabu que continua assustar e a entontecer a mente racional do “homem”.
 Lembro-me que o meu Amigo nos ensinava a arte de viver, mas sempre ia dizendo que também era uma arte regressar a “Casa”.
Disse-nos que a Vida nunca deixava de ser Vida só porque regressávamos a “Casa”. Na sua profunda Sabedoria deixava sempre alguma coisa para que em liberdade entendêssemos por nós.
Se o “homem” pudesse entender que não tem formas definidas, mas sim uma “consciência pura”, a perspectiva da transmutação seria completamente diferente.
 Entenderia que, o que na realidade acontece é um acto de “magia”, simplesmente o corpo físico deixa de ter uma forma. Passamos apenas a ser a testemunha de dois corpos que se separam.
 O movimento desse testemunhar deixa no caminho uma aura de luz brilhante, luz de uma nova forma de Vida que começa.
O meu Amigo Professor disse que a morte de um corpo só nos perturba, porque a rejeitamos, porque temos medo de a assumir.
Também fizemos essa rejeição quando acordamos para esta nova forma de Vida.
Mas como podemos dizer a alguém que está de regresso a “Casa” para a aceitar sem qualquer rejeição?
Já sei que vai dizer que se nos agarramos à Vida, o Regresso será um pesadelo. Mas enquanto o “homem” não destruir o mito da “morte”, ele não vai entender verdadeiramente a Vida, não vai entender que é Eterno, na sua mente tudo acaba com a “morte”.
Também nos disse que se pudéssemos unir a meditação ao sono, a libertação do corpo era suave e profunda.
Assim como também que havia momentos em que iríamos dar a energia de Vida a um Amigo, e outras vezes, a energia do Regresso a um outro Amigo, em ambos os casos a Vida é a mesma, o que difere é a forma.
Se na realidade pudéssemos entender que o que chamamos – morte – não é mais do que um intervalo entre dois estados de consciência, querendo dizer que num momento temos um corpo, no outro momento deixamos de o ter, mas a consciência pura permanece, porque o que é eterno não deixa de o ser, só porque não temos um corpo.
Há uma frase sua que está no meu livro de memórias:
“Se puderem entender a arte de “morrer”, vão “morrer” com um sorriso nos lábios
Professor tento ensinar aos meus “alunos” essa sua arte de “morrer”, mas como posso eu transmiti-la, se ainda não pacifiquei as minhas memórias!
Há distância, revejo-o numa dimensão que guardo no fundo da minha Alma, revejo-o nas nossas longas conversas, nas minhas picardias de aluno inexperiente que sabe tudo.
Hoje há mesma distância sei que pouco sei, na realidade também guardo na minha Alma de memórias, que o meu Amigo Professor é um Mestre, embora nos dissesse vezes sem fim que não era.
Fomos programados pelas religiões do passado e do presente, que quando “morrermos” os bons vão para o céu, e os maus para o inferno.
Mas o Professor sempre nos disse que o único inferno do “homem” é aquele que ele faz a si mesmo.
Quanto ao céu, ria-se quando falávamos nele.
Mas nesse seu sorriso, estava implícito que não havia o céu inventado pela ignorância do “homem”, e, que Deus algum separava os bons dos maus, como pode alguém separar o que tanto Ama!
O meu Amigo carteiro diz que sabe quando vai regressar a “Casa”, e quando esse tempo chegar quer ter o maior sorriso da sua Vida, porque segundo as suas palavras: “Não posso abraçar a outra forma de Vida, com um sorriso fechado, numa “Casa” que tão bem conheço”.
O meu carteiro tem um dom especial, está atento às muitas formas de Vida. Está a chamar-me à atenção que é tempo de levar a minha carta de regresso ao meu Amigo Professor.
Ele diz, que quando esse tempo chegar não o podemos adiar mais, na realidade a minha carta vai deixar de me pertencer, para pertencer-lhe  definitivamente, nas minhas mãos apenas ficou de passagem.
Um abraço numa dimensão que só os verdadeiros “Amigos” entendem.
Até à próxima volta do correio.
Carlos Campos

 

 

     
 


sexta-feira, 19 de abril de 2013

O PODER DA INTENÇÃO


O PODER DA INTENÇÃO

Quem vive num estado de unidade com a Fonte de toda vida não aparenta ser diferente das outras pessoas.
Além disso, esta pessoa não possui nenhum sinal, nem se veste com roupas especiais que anunciem as suas qualidades divinas.
Entretanto, quando notarem que alguém passa pela vida obtendo todos as benefícios que ela pode dar, e pararem para falar com estas pessoas, perceberam o quanto são singulares, comparando-se com as pessoas que vivem nos níveis comuns de consciência.
Se passar alguns momentos conversando com elas, que já estão conectadas com o poder da intenção, verão como são diferentes.
Elas estão conectadas com o campo da intenção, são pessoas que se fizeram a si mesmos disponíveis para o sucesso.
É impossível encontrá-los num estado de pessimismo com relação à realização do que desejam para as suas vidas.
Ao invés de utilizarem uma linguagem indicadora de que os seus desejos não podem se materializar, falam com uma convicção interior que comunica o seu simples e profundo conhecimento de que a Fonte universal provê tudo.
Eles não dizem: “Com esta sorte que tenho, nunca vou conseguir.”
Ao invés disto, é muito mais provável ouvi-los dizer algo como: “Planeio criar isto e sei que funcionará.”.
Não importa o quanto tentem dissuadi-los com todas as razões pelas quais o seu otimismo deveria ser acalmado, pois eles parecem estar felizmente cegos a estas repercussões.
É como se estivessem num mundo diferente, um mundo em que não podem escutar as razões pelas quais as coisas podem não sair bem.
Se se empenharem em fazer com que falem convosco sobre esta ideia, simplesmente dirão algo como: “Nego-me a pensar que poderia não acontecer, porque eu atrairei exatamente aquilo que penso, e, por isto, só penso no que sei que acontecerá.”
Não importa o que aconteceu antes.
Não se relacionam com os conceitos de fracasso ou impossibilidade.
Sem mais alardes, eles não são afetados pelas razões que existem para serem pessimistas.
Fizeram-se disponíveis para o sucesso, como também conhecem e confiam numa força invisível que é oniprovidente.
Estão tão bem conectados à Fonte, que tudo provê, que é como se tivessem uma aura natural que impede que qualquer coisa vinda do exterior possa debilitar a sua ligação com a energia criadora do poder da intenção.
Eles não focalizam os seus pensamentos no que não querem porque, como lhe explicarão, a Fonte de tudo só pode responder com o que é, que não é outra coisa que a abundancia infinita.
Não podem levá-los a passar penúrias ou escassez, nem a coisas que não funcionem, porque não é nenhuma destas coisas.
Se eu digo à Fonte de todas as coisas, “Isto provavelmente não vai funcionar”, receberei dela precisamente isto que enviei, de modo que será melhor não pensar em alguma coisa que não concordem com o que a Fonte é.
Para a pessoa média que tem medos sobre o futuro, tudo isto soará como algo incompreensível.
Dirão que dê uma olhadela para a realidade e que, de modo realista, comprove em que mundo vive.
Mas eles não se desviam do seu conhecimento interior. Dirão, se decidirem escutá-los, que este é um universo de energia e atração, e que a razão pela qual tantas pessoas vivem vidas de medo e sofrimento é porque dependem do seu ego para o cumprimento dos seus desejos.
É simples, dirão: “Liga-te com a tua Fonte, e sei como a tua Fonte e as suas intenções se encaixarão perfeitamente com a Fonte oniprovedora.”
Para eles tudo isto parece muito simples.
“Mantenham os vossos pensamentos naquilo que têm intenção de criar. Permaneça solidamente alinhado com o campo da intenção e busque as pistas que chegam até você vindas da Fonte onicriadora.”
Para eles, simplesmente não existem coincidências.
Aceitam os acontecimentos aparentemente insignificantes como se fossem orquestrados em perfeita harmonia.
Acreditam na sincronicidade e não lhes surpreende que apareça a pessoa perfeita para uma certa situação; ou que alguém, em quem estavam a pensar, logo telefone; ou que um livro chegue de improviso pelo correio trazendo a informação de que precisavam; ou que, misteriosamente, apareça o dinheiro necessário para financiar um projeto que estavam a planear.
Eles não tentarão convencê-los do seu ponto de vista com argumentos.
Sabem fazer algo melhor do que colocar um monte de energia discutindo ou frustrando-se, porque isso atrairia discussões e frustrações para as suas vidas.
Eles sabem que sabem e não lhes seduz construir uma força opositora de resistência para as pessoas que vivem de outra maneira.
Aceitam a ideia de que as casualidades não existem num universo que tem como Fonte uma força energética invisível que continuamente cria e proporciona uma provisão infinita a todo aquele que queira se abastecer dela.
Se lhes perguntarem, dirão simples e claramente: “Tudo o que se precisa fazer para chamar o poder da intenção é permanecer em perfeito alinhamento com a Fonte de tudo, eu escolho permanecer tão estreitamente alinhado com a Fonte como me é possível.”
Para eles, tudo o que aparece na sua vida está aí porque o poder da intenção assim o planeou.
Por isto, sempre estão agradecidos.
Sentem-se agradecidos por tudo, inclusive por coisas que poderiam parecer obstáculos.
Têm a capacidade de ver uma doença temporária como uma bênção, e sabem no seu coração que, em alguma parte deste revés, há uma oportunidade, que é o que buscam em tudo o que surge nas suas vidas.
Através do seu agradecimento, honram todas as possibilidades, ao invés de pedir tudo para a sua Fonte, porque isto seria como dar poder a algo que já desapareceu.
Eles comungam com a Fonte num estado de reverente gratidão para com tudo o que é apresentado nas suas vidas, sabendo que isto faculta a sua intenção para manifestar precisamente o que precisam.
É improvável que os escutem queixando-se de algo.
Eles não são exigentes.
Se chove, desfrutam, sabendo que não conseguirão ir aonde querem se só viajarem nos dias ensolarados.
Assim é como reagem frente a todas as coisas da natureza, com agradecida harmonia.
A neve, o vento, o sol e os sons da natureza, tudo isto são lembranças de que eles são uma parte do mundo natural.
O ar, independentemente da sua temperatura ou velocidade, é o venerado ar, fôlego de vida.
Agradecem ao mundo e a tudo o que nele está contido.
A mesma ligação que experimentam com a natureza, sentem para com todos os outros seres, incluindo aqueles que viveram antes e os que ainda estão por chegar.
Têm consciência da unidade e, portanto, não fazem distinções entre tais e quais tipos de pessoas.
Se pudessem observar o seu mundo interior, descobririam como lhes fere a dor imposta ao seu próximo.
Carecem do conceito de inimigos, porque sabem que todos nós emanamos da mesma Fonte divina.
Preferem valorizar as diferenças na aparência e nos costumes das demais pessoas, ao invés de se fixarem naquilo que não gostam nelas, criticando-as ou sentindo-se ameaçados por elas.
A sua ligação com os demais tem uma natureza espiritual, mas não se separam espiritualmente de ninguém, independentemente de onde vivam ou quão diferentes possam ser seus aspectos ou costumes.
No seu coração, sentem uma afinidade com toda a vida, assim como com a Fonte de toda vida.
Eles agradecem esta ligação espiritual, e não esbanjam energia depreciando ou criticando.
Nunca se sentem separados da assistência que todo este sistema doador de vida lhes oferece.
Portanto, não se surpreendem quando a sincronicidade lhes trazem os frutos das suas intenções.
Sabem e sentem nos seus corações, que estes acontecimentos, aparentemente milagrosos, foram trazidos ao seu espaço vital imediato porque eles mesmos já estavam conectados com estes eventos.
 “Permaneçam vibratoriamente alinhados com o que a Fonte de toda vida planeis para vós, e todas as pessoas e todos os poderes deste campo de intenção cooperarão convosco para atrair para a vossa vida tudo o que desejarem.”
Eles sabem que assim é como o universo trabalha.
Outros poderão insistir em que eles são meros afortunados, mas as pessoas que desfrutam do poder da intenção sabem que não é assim.
Sabem que podem providenciar a presença de qualquer coisa em que fixem a sua atenção, enquanto permanecerem nessa consonância.
Entendem como o universo trabalha, e permanecem alinhado com ele, não o desafiam, nem encontram defeitos.
Eles dizem que a energia que se move com mais rapidez dissolve e anula a mais lenta.
Estas pessoas escolhem estar em harmonia com a energia espiritual invisível.
O seu sossego tem o efeito de fazer com que os demais se sintam seguros e tranquilos, e irradiam uma energia de serenidade e paz.
Não lhes interessa saírem vitoriosos das discussões, nem somarem aliados.
Dizem, sem duvidar, que escolhem sentir-se bem, independentemente do que aconteça ao seu redor ou de como os outros podem julgá-los.
Sabem que sentir-se mal é uma escolha, e que a mesma não é útil para corrigir as situações desagradáveis no mundo.
Não permitem que o seu bem-estar dependa de algo externo a eles mesmos, nem do tempo atmosférico, nem das guerras existentes em algum lugar do globo, nem do panorama político, da economia, nem, evidentemente, de alguém que tenha decidido estar numa energia baixa.
A morte não é algo que temam; e, se lhes perguntarem, dirão que, na verdade, nada que nasceu pode terminar algum dia.
Veem a morte como uma troca de roupas ou como passar de uma sala para outra: uma mera transição.
Eles estão apontados para a energia invisível, que vêem como seu verdadeiro ser, que planeia todas as coisas em nossa existência.
Por se sentirem alinhados com todos e com todo o universo, não experimentam o sentimento de estarem separados de ninguém, nem de nada que queiram atrair para suas vidas.
A sua ligação é invisível e imaterial, mas nunca é colocada em dúvida.
Consequentemente descansam nesta energia interna espiritual invisível que penetra em todas as coisas.
Vivem em harmonia com o Espírito, não se vendo, jamais, como algo separado Dele.

 

 

sexta-feira, 5 de abril de 2013


   TEMPO DE REFLEXÃO

 
Meu querido Amigo Professor, agradeço à vida a oportunidade de reunir a minha família nestas férias, o que nem sempre é possível pelos seus afazeres profissionais, e, deixar-me envolver como uma criança que adora brincar com as outras crianças.
Ao longo do trabalho que tenho vindo a desenvolver, tenho enfatizado que a estrutura familiar é tão importante, como o respirar é para a vida.
Foi esse o entendimento que soltei para que a minha criança desse azo a fazer tudo aquilo que fazia quando veio a este espaço no estado de inocência.
Mergulhei em águas  profundas de rios que correm até ao infinito; joguei à bola na água desses rios; andei de canoa com a minha a minha Amada, e fomos à procura da nascente da vida, que embalava a água cristalina dos rios das nossas muitas vidas.
Toquei em cada pedra polida do fundo do rio, os peixes ingenuamente mordiscavam as minhas mãos à procura de comida.
Vi a minha neta Carolina saltar para dentro de água e pedir que brincasse com ela. Dei comigo a fazer diabruras como só as crianças sabem fazer. A Carolina sentia que também eu era uma criança, e aos saltos na sua inocência dizia –O vovô tá tó tó da cabeça…vovô gosto muito de ti do coração…o vovô diz que eu sou uma princesa.
É a vez do meu neto David dizer –Vovô vem brincar na areia comigo…vovô deixa-me regar contigo o jardim. À noite diz à mãe –Estou muito cansado, brinquei muito com o meu avô.
A Carolina chega junto de mim e diz –Vovô…põe a tua mão do meu dói dói e pede aos Amigos para o dói dói passar. É a vez do David –Vovô as minhas calças estão apertadas o cinto fez aqui um dói dói ao David, põe as tuas mãos e pede aos Amigos para que o dói dói passe.
A noite chega e tento contar as estrelas do céu. Pergunto ao meu guia Lucas se posso ter uma só para mim. Diz-me –Todas as estrelas te pertencem, todo o Universo te pertence. Mas não as apertes como tuas, se o fizeres, matas a sua liberdade, assim como a luz que ilumina o teu caminho.
Dei conta sem contar o tempo que o dia era maior do que eu tinha imaginado.
Eu podia fazer tudo aquilo que eu quisesse, e, ainda assim me sobrava tempo para escrever noite fora, como se a noite fosse apenas o prolongamento do dia, sem contudo sentir cansaço.
Valeu a pena todo o tempo que dedicámos a construir esta família.
“Ensina a criança os caminhos da vida e do Amor, que ela nunca esquecerá o que em Amor aprendeu”.
Era esse Amor que eu estava a receber.
Nestas férias revivi outros tempos do passado, mas não senti qualquer dor, apenas…nostalgia dos que comigo partilharam outros estágios da minha vida.
O que me ensinaram, e o muito que me Amaram.
Estava grato pelos momentos que me deram ontem; hoje, outros momentos estavam a ser vividos; outros desafios; somente igual, é o Amor, o Amor que o meu coração sente nos mistérios de uma alma liberta de preconceitos, e de frases feitas que o vento há muito levou.
Nestas férias também me sobrou tempo para passar energia a duas Amigas que estão de regresso a “Casa”. Pedi ao Deus em que eu acredito, energia para que a sua transmutação fosse consciente e sem revolta, conscientes de que este era o momento em que dizemos adeus às coisas efémeras, e, nos fixamos na vida que nunca morre.
Uma Amiga estava na agonia da morte. Perguntei-lhe se estava consciente do que eu lhe estava a transmitir. Abriu por uns instantes os olhos e acenou com a cabeça dizendo que sim. Partiu oito dias depois de ter estado com ela.
A outra Amiga estava consciente e muito lúcida. Pedia-me que eu pedisse aos Amigos que a levassem durante o sono, porque estava em muito sofrimento. Falei-lhe da “passagem”, falei-lhe da dimensão que a sua alma iria atravessar, falei-lhe do seu novo mundo. Aceitou em consciência o que lhe disse, e fizemos um pacto, eu iria sentir quando ela partisse.
Nestas férias também tentei dar uma força a Amigas que estavam em desespero. Quando não estamos controlados pelo tempo, ele dá para tudo o que quisermos fazer.
Nestas férias senti o quão importante era a minha missão e o meu trabalho.
Agradeci à vida o propósito que me trouxe a este espaço e tempo.
Agradeci ao Deus em que acredito a família que me foi dada, sem ela…eu não seria o que hoje eu sou…uma criança que brinca com as outras crianças, uma criança que sabe dizer obrigado à vida.
O meu Amigo professor ouviu em silêncio a minha alma – só os Mestres sabem ouvir o silêncio da alma – e diz:
“A tua criança e a tua alma são uma só, a ilusão que habita na face do homem diz que são duas.”
Foram somente estas as suas palavras, que a minha alma agradeceu tanta sabedoria, dita com um Amor que jamais o homem pode entender.
O meu Amigo carteiro espera pacientemente que eu termine esta carta sem me interromper. Algo difícil para o homem que corre com o tempo.
Diz que apenas voltou a este espaço e tempo para ensinar a mais difícil das artes de um feiticeiro, a paciência. Quanto ao tempo…diz que ele não existe.
Amigos, até à próxima volta do correio.

 

domingo, 31 de março de 2013

     O DESPERTAR DO VERDADEIRO FEITICEIRO




 
«Essa hora virá sobre o mundo inteiro, para colocar à prova os habitantes da Terra.» Apocalipse 3:10

 

Meu Amigo Professor, ao longo dos tempos muitos Mestres Feiticeiros têm vindo transmitir os seus ensinamentos.
Que ensinamentos são esses?
--Que todo o homem nasceu para ser feiticeiro, ou seja, usar os conhecimentos que estão para além do tempo e do espaço.
Que há tantos caminhos quantos são os feiticeiros.
Vieram ensinar a desmontar a complexa máquina da automatização da sociedade dos feiticeiros adormecidos.
Tiveram a coragem e a ousadia de ser diferentes, porque usaram a arte e a magia de serem imprevisíveis.
Os feiticeiros comuns são previsíveis, repetem rotinas através da automatização de uma mente racional e previsível. Tudo o que é imprevisível à mente racional, rejeitam. São tão previsíveis que constroem um céu e uma terra em areias movediças, fazendo imensos planos destituídos de qualquer consistência.
Os feiticeiros do passado também tentaram construir esse céu e essa terra, também fizeram muitos planos – mas esses planos atrapalhavam os planos que esvoaçam acima da mente previsível de um feiticeiro. Mas quando voavam acima dessa mente, deixavam-se conduzir pelas suas vassouras de cristal.
Só tiveram que esperar o momento certo para que a sua vassoura de cristal avançasse em direção à sua ilha mágica, o grande objetivo da sua missão.
No entanto nenhuma vassoura de cristal ali teria ali chegado se os feiticeiros não tivessem cuidado dela. Para que o feiticeiro siga o caminho certo, deve manter a sua vassoura de cristal acima da mente previsível, e mantê-la em perfeita ordem para que ela possa chegar à tão desejada ilha mágica. Ao ganhar a força para poder voar acima da ilusão, já não terá dúvidas do seu caminho.
O feiticeiro tem de tratar bem a sua vassoura de cristal; mantê-la limpa e a brilhar; disciplinar os feiticeiros intrusos que querem tomar conta da sua vassoura, contudo sem ser rigoroso.
Chegará então o dia que vai encontrar a sua ilha mágica, e não hesitará em reconhece-la quando a encontrar.
Um projeto tão grandioso não tem tempo nem espaço, porque exige do feiticeiro uma inteira libertação daquilo que é previsível.
Os que estão automatizados e em sono profundo fazem rituais para mostrar ao exterior que são fiéis a esse tempo e espaço, que estão presos a ele. É o modo de levar o feiticeiro à consciência que está dentro de uma prisão, que ela é a dona da sua liberdade. Uns tentam através das religiões e das filosofias desprenderem-se dessa prisão, outros seguem magias e iniciações secretas e obscuras para não estarem limitados por ela. Mas só o feiticeiro que voa acima do que é previsível, consegue libertar-se dessa prisão limitadora e castradora que é o tempo e o espaço.
Se o feiticeiro não fizer qualquer esforço para se libertar dessa prisão, ele se libertará naturalmente dela, quando em liberdade voar acima da mente previsível, através das suas próprias experiências. Quer dizer que, a recompensa da ilha mágica surge no momento em que o feiticeiro já não precisa de fazer qualquer esforço para lá chegar.
Como é possível tomar essa consciência?
As experiências acontecem todos os dias dentro dele mesmo – é a sua experiência diária. Se ele não limpar diariamente as sementes que os ventos trazem para dentro da sua vassoura, ele corre o risco que essas sementes se multipliquem e fiquem fora do seu controle. Mas como ele não controla nada, nem se apercebe que na sua própria vassoura estão a crescer plantas indesejáveis à sua própria evolução.
Tudo isso acontece para que tome consciência que tem todas as condições de encontrar a sua ilha mágica, e de atingir em liberdade a plenitude dessa ilha. 
É preciso que sinta que todos os meios que ele até ali tem usado para evoluir, não passam de meios subtis e obscuros para encontrar a sua ilha. Eles não passam de construções arquitetadas pelo ego que lhe diz – que é dono e senhor da sua vassoura de cristal e que o leva à ilha mágica.
Só quando o feiticeiro sentir que a vassoura de cristal lhe pertence, e que a ilha que o ego lhe quer dar não é mais do que a pura ilusão no tempo e do espaço, ele começará a pacificar os muitos desejos do ego, e, finalmente acordará do seu longo sono.
Encontrará finalmente a sua verdadeira ilha mágica, que ego algum lhe poderá dar. Começa a entender que o poder previsível do ego apenas corrompe e destrói.
Sente então dentro de si a Paz que a verdadeira ilha mágica lhe transmite. Abandona definitivamente a ansiedade de ter conhecimento, para finalmente o obter. Vai dar-se si próprio para encontrar o verdadeiro Amor, que só a ilha mágica conhece.
Só quando a sua vassoura de cristal chegar em liberdade à ilha mágica, ele entenderá que o caminho entre ele e o Grande Mestre dos mestres, está mais próximo do que nunca.
Vive então sem qualquer ansiedade o grande momento da sua longa espera, que é entender que o que existe na ilha mágica é alguma coisa à qual ele entende, não ser nada.
É quando na realidade ele começa a Ser tudo.
Chegar à ilha mágica do Ser é fácil, só as circunstâncias que estão à sua volta impedem o feiticeiro de encontrar o Ser.
Só quando o feiticeiro em liberdade voar na sua vassoura de cristal acima da sua ilha mágica, ele é dono de si mesmo.
Na ilha mágica todos voam em liberdade.
--Obrigado Professor por esta aula de metáforas puras, que só a magia de um verdadeiro feiticeiro sem ego entende.
O meu Amigo Carteiro diz que sempre foi um feiticeiro discreto, porque usa o truque do disfarce para não lhe matarem a forma. Cristo e Buda também eram mestres feiticeiros, mas deram muito nas vistas, por isso mataram a sua forma.
Amigos até à volta do correio se o Deus em que acredito o permitir, mas onde quer que eu esteja, estou vivo.

 
Carlos Campos

 

 
 
 

sábado, 30 de março de 2013





 

    CRISTO ESTÁ VIVO

 
«Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!
Lucas  23: 34

 
Meu Amigo professor, Cristo foi barbaramente assassinado, não porque ele tenha sido bom ou mau, ou porque tenha vindo para morrer na cruz e libertar os famigerados pecados do homem. Foi morto porque teve a coragem de desafiar a autoridade religiosa que ditava na altura os destinos do homem. Cristo não é o resultado da imaginação humana, Ele está para além da filosofia intelectual do homem, está para além de qualquer religião ou afim. Se Ele hoje voltasse à terra na forma humana, poderia viver em qualquer recanto da terra, em qualquer situação e sob quaisquer condições sociais, porque em todo o lugar onde estivesse estava bem. Ao contrário do homem comum que leva a vida a lamentar-se; desejar sempre o que não tem; matar em nome de qualquer coisa. Nestas condições humanas limitadas em que vivemos, Cristo seria sempre morto da mesma maneira de há dois mil anos atrás. O homem voltaria a mata-lo, qualquer que fosse o tempo ou o lugar onde Ele se encontrasse. Cristo na sua plena Energia, mostra-nos realidades bárbaras mas subtilmente encobertas na existência do homem comum, insensível às mudanças de atitude perante a Vida. O homem comum tem procurado incessantemente em Cristo, a chave que lhe possa desvendar o mistério da sua morte, e quais as consequências que ela criou na sua vida, e qual o destino que lhe está reservado, por não acatar a mudança.
--Carlos o homem vive o drama e a tragédia da morte de Cristo, daí resulta a dificuldade para entender o que está para além dela, o que está para além do tempo e do espaço. O drama humano não está apenas na morte do Cristo, mas também no nascimento, um nascimento enfraquecido por não haver Amor, e foi por falta de Amor que Cristo sucumbiu às mãos do homem. Estão a matar o Cristo logo à nascença, quando rejeitam o Amor de uma criança, quando rejeitam a Vida que está no ventre da mulher.
--Professor por que razão Deus não intervém no drama humano!
--Porque procuram o Cristo na razão, e Ele está para além da razão limitada do homem comum.
--Porque falaste várias vezes em homem comum.
--Porque quem vive na razão é o homem comum, o outro voa. Por isso sabe onde se encontra a chave do segredo, enquanto o homem comum apenas escreve sobre o segredo, escreve sobre aquilo que não conhece.
--Por isso não o encontra?
--Carlos o homem vai continuar a andar às voltas do muro das lamentações, enquanto não tiver entendido de maneira integral e subjetiva o verdadeiro caminho de Cristo.
Ele representa o segredo da morte e da Vida do homem.
Cristo morreu há dois mil anos, e continua a morrer todos os dias porque ele é Vida. É essa Vida que o homem comum continua a matar. No passado e no presente da vida do homem comum, há um abismo inultrapassável entre a fantasia da Vida e a capacidade do homem de viver a verdadeira Vida.
O Cristo morre porque o homem ama a Vida mais do que a sua própria estrutura lhe permite. Ele é completamente incapaz de receber a Vida tal como ela é criada por Deus, regida pelas leis da Energia Vital Cósmica, de um Universo dentro de muitos Universos, Universos que o homem comum ainda não conhece, mas que o outro o Guerreiro, voa sobre eles.
--Tem o homem salvação?
--A esperança dá forças e faz cintilar a chama do fogo interior.
Mas se o homem se mantiver adormecido, imobilizado no seu casulo de hibernação perpétua, continuará a matar a Vida, continuará a matar o Cristo que habita do seu secreto.
--Meu Amigo Professor no limbo da Vida onde me encontro, entendi onde queres chegar com as tuas sábias palavras. Na realidade as culturas do homem comum nascem e morrem, as sociedades criam para logo desaparecer. Criámos guerras às nações vizinhas para esquecer a morte de Cristo; fazemos revoluções patéticas dizendo a nós próprios que somos livres, quando não o somos. Vivemos uma mentira constante, mas por ser repetida tantas vezes acabou por ser verdadeira na nossa ilusão.
Temos agindo ininterruptamente da mesma maneira, agindo com os mesmos erros do passado. Chego à conclusão que a razão é capaz de não entender, que poucas ou mesmo nenhumas mudanças foram feitas nestes últimos decénios. 
Por isso, depois de termos destruído a forma do Cristo, não a sua essência, só nos resta reavivar o Cristo sem forma, vivo, ativo entre os Guerreiros, para que os homens comuns despertem do seu longo sono.
Cristo não morreu, está vivo, e esse é o grande drama do homem comum, porque teme a morte em vez de aceitar.
O meu Amigo Carteiro diz que conhece muito bem Cristo, ele é o portador de muitas cartas do homem comum, porque o outro não precisa de lhe escrever, tal como o Carteiro, está sempre com Ele.

Até à próxima volta do correio, se essa for a Sua vontade.
Carlos Campos
   

 

 

 

 
 
   A MENTE ASSASSINA

 «Disciplina a tua mente e presta atenção aos conselhos da experiência.» Provérbios, 23:11

 
Meu Amigo Professor, o homem ainda hoje se move como se ainda estivesse na caverna de Platão, desconhecendo por completo o homem real, o homem espiritual.
As ações arbitrárias do homem contemporâneo levam-me a sentir que ele é um assassino, que é capaz de matar só pelo prazer de matar.
Helena Blavatsky no seu livro A Voz do Silêncio diz:  
«A  Mente é o grande assassino do Real. Que o discípulo mate o Assassino.»  
O discípulo a que ela se refere é o homem real – o homem espiritual. Ela fala da mente oscilante que não se fixa em coisa alguma, que está sempre à procura a maneira de escravizar o homem às suas pretensões, até mesmo fazer dele um assassino.
Carlos, a principal causa desta divergência é porque o homem se iludiu com as manipulações do ego. Foi ele que alimentou essa diferença com astúcia para controlar a mente, para ser dono absoluto do homem.
A verdade é que o homem não usa a mente como um pensador, aliás, é a mente que comanda o pensador, absorvendo o discípulo - homem real – deixando-o como um mandante da mente.
Tudo começa pela dificuldade do homem não saber quem é!
Quem é ele neste emaranhado de interpretações filosóficas, em que uns dizem que ele é o pensador pensante daí o criador, e logo de seguida já não é! Para passar a ser o assassino da mente.
Enquanto o homem real, o homem espírito, o caminhante, não disciplinar a mente, ela faz dele um assassino, porque mata o melhor que existe nele, a sua verdadeira essência.
O meu Amigo Professor fala a língua dos sábios, uma linguagem ainda muito precoce para o homem comum.
Aquele que saiu da limitação do ego, já entendeu que o ego é o principal causador da sua mente assassina.
Através dele o homem limitou o seu campo de energia, a expansão da consciência intensificada, que lhe permitia ser ele o próprio criador.
A castração do homem comum, deve-se ao facto de permitir que a sua alma seja objeto de avaliação.
Ao permiti-lo, está também a consentir que a sua mente fique prenhe do que os outros dizem da sua alma, limitando o seu campo de energia. A mente descontrola-se e torna-se assassina.
Em termos reais e objetivos embora violentos, o homem que hoje pode ser considerado pelo mundo dos homens sublime, cheio de virtudes, pode amanhã ser um assassino e matar.
Porquê esta dualidade?
Este será o melhor exemplo da mente assassina, que pode matar às ordens de uma religião organizada, organizada por assassinos.

«No Japão há uma das muitas religiões que eles seguem, que tem um ritual da seguinte maneira: todos os anos os sacerdotes escolhem um homem espírito entre os habitantes da cidade. Não são escolhidos sacerdotes, são escolhidos cidadãos comuns.
Nesse ano foi escolhido um jovem com vinte e sete anos para ser o homem espírito. É uma honra ser eleito entre muitos candidatos, que apenas ficam três depois de feita uma grande seleção.
O homem espírito terá de percorrer trezentos metros até ao templo, onde cinco mil pessoas o aguardam para lhe tocarem, porque se lhe tocarem afastam a má sorte durante um ano, ou seja, até à próxima cerimónia.
O mais dramático é que o homem espírito pode ser morto por esta avalanche de mentes criminosas, e não há lugar a qualquer punição para os assassinos. Este ano o homem espírito levou três horas até chegar ao templo. E para conseguir entrar dentro do templo, foi à custa dos braços violentos dos guardas - porque tudo nesta cerimónia é violência -  a abrir caminho para conseguirem a abrir o portão, mas os selvagens aos gritos alimentados por muito álcool não permitiam. Queriam continuar a massacrar o homem espírito, para terem sorte durante um ano. Meio moribundo e já quase sem pulso, e com e carne dilacerada pelos pés, mãos e cabeçadas de mentes criminosas, lá conseguiu entrar no templo.
Matar o homem espírito seria um mal menor, o importante era manter o circo, para que os assassinos se saciassem dos seus actos selvagens.
O homem espírito - um jovem de estrutura musculada e no auge da vida - esteve de repouso durante oito horas. Ao fim das oito horas voltou ao templo apoiado por acólitos, porque mal se consegui pôr em pé, assim como o seu corpo estava severamente marcado por mãos assassinas em nome de uma religião.
Teve de carregar com um pão com mais de trinta quilos que tinha sido feito nas vésperas, para enterrá-lo longe do templo, enterrando também com ele a má sorte.
O jovem saiu do templo seguro pelos dois acólitos, não se sabendo ao certo a extensão das atrocidades, com o pão amarrado às costas arrastando os pés no chão, porque o seu corpo já não podia mais com tanta violência.
O circo encerrou as portas por um ano.»

Palavras para quê!
Esta história da vida real é explícita, mostrando que a mente é assassina.
Um ego exacerbado pode conduzir uma mente fraca a matar.
Helena Blavatsky diz: «que o discípulo mate o assassino».
Querendo dizer que o homem espiritual mate a mente.
Eu diria da seguinte maneira: «que o discípulo discipline a mente, para que ela lhe obedeça.»
Esse é seu trabalho de uma vida inteira.
Não se pode matar o que vive dentro de homem.
Ele é um criador, um criador nunca mata, une.
O meu Amigo Carteiro diz que o homem ainda está anos de luz do conhecimento.
Quando aprender a Amar, não alimenta mais religiões e seitas, que para ele são todas iguais, umas de uma maneira, outras de outra todas elas são assassinas porque matam o belo, a busca do homem, a conquista da sua verdadeira identidade.

Até à próxima volta do correio, onde quer que eu esteja, estou vivo.
Carlos Campos