Lucas 23: 34
--Carlos o homem vive o drama e a tragédia da morte de Cristo, daí resulta a dificuldade para entender o que está para além dela, o que está para além do tempo e do espaço. O drama humano não está apenas na morte do Cristo, mas também no nascimento, um nascimento enfraquecido por não haver Amor, e foi por falta de Amor que Cristo sucumbiu às mãos do homem. Estão a matar o Cristo logo à nascença, quando rejeitam o Amor de uma criança, quando rejeitam a Vida que está no ventre da mulher.
--Professor por que razão Deus não intervém no drama humano!
--Porque procuram o Cristo na razão, e Ele está para além da razão limitada do homem comum.
--Porque falaste várias vezes em homem comum.
--Porque quem vive na razão é o homem comum, o outro voa. Por isso sabe onde se encontra a chave do segredo, enquanto o homem comum apenas escreve sobre o segredo, escreve sobre aquilo que não conhece.
--Por isso não o encontra?
--Carlos o homem vai continuar a andar às voltas do muro das lamentações, enquanto não tiver entendido de maneira integral e subjetiva o verdadeiro caminho de Cristo.
Ele representa o segredo da morte e da Vida do homem.
Cristo morreu há dois mil anos, e continua a morrer todos os dias porque ele é Vida. É essa Vida que o homem comum continua a matar. No passado e no presente da vida do homem comum, há um abismo inultrapassável entre a fantasia da Vida e a capacidade do homem de viver a verdadeira Vida.
O Cristo morre porque o homem ama a Vida mais do que a sua própria estrutura lhe permite. Ele é completamente incapaz de receber a Vida tal como ela é criada por Deus, regida pelas leis da Energia Vital Cósmica, de um Universo dentro de muitos Universos, Universos que o homem comum ainda não conhece, mas que o outro o Guerreiro, voa sobre eles.
--Tem o homem salvação?
--A esperança dá forças e faz cintilar a chama do fogo interior.
Mas se o homem se mantiver adormecido, imobilizado no seu casulo de hibernação perpétua, continuará a matar a Vida, continuará a matar o Cristo que habita do seu secreto.
--Meu Amigo Professor no limbo da Vida onde me encontro, entendi onde queres chegar com as tuas sábias palavras. Na realidade as culturas do homem comum nascem e morrem, as sociedades criam para logo desaparecer. Criámos guerras às nações vizinhas para esquecer a morte de Cristo; fazemos revoluções patéticas dizendo a nós próprios que somos livres, quando não o somos. Vivemos uma mentira constante, mas por ser repetida tantas vezes acabou por ser verdadeira na nossa ilusão.
Temos agindo ininterruptamente da mesma maneira, agindo com os mesmos erros do passado. Chego à conclusão que a razão é capaz de não entender, que poucas ou mesmo nenhumas mudanças foram feitas nestes últimos decénios.
Por isso, depois de termos destruído a forma do Cristo, não a sua essência, só nos resta reavivar o Cristo sem forma, vivo, ativo entre os Guerreiros, para que os homens comuns despertem do seu longo sono.
Cristo não morreu, está vivo, e esse é o grande drama do homem comum, porque teme a morte em vez de aceitar.
O meu Amigo Carteiro diz que conhece muito bem Cristo, ele é o portador de muitas cartas do homem comum, porque o outro não precisa de lhe escrever, tal como o Carteiro, está sempre com Ele.
Até à próxima volta do
correio, se essa for a Sua vontade.
Carlos Campos
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