sábado, 30 de março de 2013

 

 
 
   A MENTE ASSASSINA

 «Disciplina a tua mente e presta atenção aos conselhos da experiência.» Provérbios, 23:11

 
Meu Amigo Professor, o homem ainda hoje se move como se ainda estivesse na caverna de Platão, desconhecendo por completo o homem real, o homem espiritual.
As ações arbitrárias do homem contemporâneo levam-me a sentir que ele é um assassino, que é capaz de matar só pelo prazer de matar.
Helena Blavatsky no seu livro A Voz do Silêncio diz:  
«A  Mente é o grande assassino do Real. Que o discípulo mate o Assassino.»  
O discípulo a que ela se refere é o homem real – o homem espiritual. Ela fala da mente oscilante que não se fixa em coisa alguma, que está sempre à procura a maneira de escravizar o homem às suas pretensões, até mesmo fazer dele um assassino.
Carlos, a principal causa desta divergência é porque o homem se iludiu com as manipulações do ego. Foi ele que alimentou essa diferença com astúcia para controlar a mente, para ser dono absoluto do homem.
A verdade é que o homem não usa a mente como um pensador, aliás, é a mente que comanda o pensador, absorvendo o discípulo - homem real – deixando-o como um mandante da mente.
Tudo começa pela dificuldade do homem não saber quem é!
Quem é ele neste emaranhado de interpretações filosóficas, em que uns dizem que ele é o pensador pensante daí o criador, e logo de seguida já não é! Para passar a ser o assassino da mente.
Enquanto o homem real, o homem espírito, o caminhante, não disciplinar a mente, ela faz dele um assassino, porque mata o melhor que existe nele, a sua verdadeira essência.
O meu Amigo Professor fala a língua dos sábios, uma linguagem ainda muito precoce para o homem comum.
Aquele que saiu da limitação do ego, já entendeu que o ego é o principal causador da sua mente assassina.
Através dele o homem limitou o seu campo de energia, a expansão da consciência intensificada, que lhe permitia ser ele o próprio criador.
A castração do homem comum, deve-se ao facto de permitir que a sua alma seja objeto de avaliação.
Ao permiti-lo, está também a consentir que a sua mente fique prenhe do que os outros dizem da sua alma, limitando o seu campo de energia. A mente descontrola-se e torna-se assassina.
Em termos reais e objetivos embora violentos, o homem que hoje pode ser considerado pelo mundo dos homens sublime, cheio de virtudes, pode amanhã ser um assassino e matar.
Porquê esta dualidade?
Este será o melhor exemplo da mente assassina, que pode matar às ordens de uma religião organizada, organizada por assassinos.

«No Japão há uma das muitas religiões que eles seguem, que tem um ritual da seguinte maneira: todos os anos os sacerdotes escolhem um homem espírito entre os habitantes da cidade. Não são escolhidos sacerdotes, são escolhidos cidadãos comuns.
Nesse ano foi escolhido um jovem com vinte e sete anos para ser o homem espírito. É uma honra ser eleito entre muitos candidatos, que apenas ficam três depois de feita uma grande seleção.
O homem espírito terá de percorrer trezentos metros até ao templo, onde cinco mil pessoas o aguardam para lhe tocarem, porque se lhe tocarem afastam a má sorte durante um ano, ou seja, até à próxima cerimónia.
O mais dramático é que o homem espírito pode ser morto por esta avalanche de mentes criminosas, e não há lugar a qualquer punição para os assassinos. Este ano o homem espírito levou três horas até chegar ao templo. E para conseguir entrar dentro do templo, foi à custa dos braços violentos dos guardas - porque tudo nesta cerimónia é violência -  a abrir caminho para conseguirem a abrir o portão, mas os selvagens aos gritos alimentados por muito álcool não permitiam. Queriam continuar a massacrar o homem espírito, para terem sorte durante um ano. Meio moribundo e já quase sem pulso, e com e carne dilacerada pelos pés, mãos e cabeçadas de mentes criminosas, lá conseguiu entrar no templo.
Matar o homem espírito seria um mal menor, o importante era manter o circo, para que os assassinos se saciassem dos seus actos selvagens.
O homem espírito - um jovem de estrutura musculada e no auge da vida - esteve de repouso durante oito horas. Ao fim das oito horas voltou ao templo apoiado por acólitos, porque mal se consegui pôr em pé, assim como o seu corpo estava severamente marcado por mãos assassinas em nome de uma religião.
Teve de carregar com um pão com mais de trinta quilos que tinha sido feito nas vésperas, para enterrá-lo longe do templo, enterrando também com ele a má sorte.
O jovem saiu do templo seguro pelos dois acólitos, não se sabendo ao certo a extensão das atrocidades, com o pão amarrado às costas arrastando os pés no chão, porque o seu corpo já não podia mais com tanta violência.
O circo encerrou as portas por um ano.»

Palavras para quê!
Esta história da vida real é explícita, mostrando que a mente é assassina.
Um ego exacerbado pode conduzir uma mente fraca a matar.
Helena Blavatsky diz: «que o discípulo mate o assassino».
Querendo dizer que o homem espiritual mate a mente.
Eu diria da seguinte maneira: «que o discípulo discipline a mente, para que ela lhe obedeça.»
Esse é seu trabalho de uma vida inteira.
Não se pode matar o que vive dentro de homem.
Ele é um criador, um criador nunca mata, une.
O meu Amigo Carteiro diz que o homem ainda está anos de luz do conhecimento.
Quando aprender a Amar, não alimenta mais religiões e seitas, que para ele são todas iguais, umas de uma maneira, outras de outra todas elas são assassinas porque matam o belo, a busca do homem, a conquista da sua verdadeira identidade.

Até à próxima volta do correio, onde quer que eu esteja, estou vivo.
Carlos Campos
 

 

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