MOMENTOS INEVITÁVEIS
Existem momentos inevitáveis, em que uma tristeza profunda torna o homem
angustiado.
É então que os desejos perdem temporariamente sua força, as posses e até
mesmo a existência da sua realidade. Ele parece estar fora do mundo ativo. E o que é pior, é que a atividade humana perde o seu significado, um ir a todo o lugar e não chegar a lado nenhum, um tocar insano de instrumentos que não produz música alguma.
É então, também, que um terrível anseio suicida entra no seu sangue, ele precisa usar o seu lastro mental para não dar cabo de si mesmo.
Mesmo assim, esses momentos negros são intensamente preciosos, pois colocam seus pés com firmeza no caminho superior.
Poucos percebem isso, mas todos se queixam. A autodestruição à qual o homem é impelido por essas terríveis experiências de vida não é um acto físico brutal, mas algo subtil – um suicídio de pensamento, emoção e vontade descontrolada.
Ele está sendo chamado, na verdade, a morrer para o seu ego, a tirar da sua vida os desejos e paixões, cobiças, e ódios, a aprender a arte de viver sem dependências.
E foi esse mesmo chamado que Jesus proferiu quando disse: “Aquele que perder sua vida encontrá-la-á.” Assim, as tristezas da terra não são mais que meios passageiros para um fim eterno, um processo pelo qual temos de aprender como expandir a consciência, do Eu mais profundo, o Eu Superior. Há certos acontecimentos que nos fazem ir ao encontro da procura ou, se já estamos nela, prepara-nos para um avanço maior.
Não são momentos agradáveis pois vão abanar a estrutura do nosso ego.
Mas é apenas por meio dessas situações aparentes que nos são trazidas pelas circunstâncias, que somos compelidos a aceitar um rumo que, espiritualmente, muito nos vai beneficiar no final. Conscientemente ou não, o homem diz a si mesmo, em certo sentido: “Sozinho, por mim mesmo, não posso suportar este destino adverso.
Preciso procurar ajuda e conforto fora de mim.”
Ele vai então a outro homem ou a uma instituição, mas, no final, ele vai ao encontro do Deus em que ele acredita.
Todo o progresso Espiritual é individual.
Cada homem cresce por si mesmo.
O homem deve ser o seu próprio instrutor interno.
O progresso real do homem é fruto do seu próprio trabalho, e não da boa vontade dos outros.
Quando o homem é levado a clarificar o seu próprio pensamento, conhecimento e consciência, ele volta a atenção para aquilo em que realmente acredita. Quem conseguir superar a tendência à extroversão e à materialização desta nossa época, tem de ser uma pessoa com uma vontade inquebrantável.
Na verdade, uma reviravolta geral em direção à vida espiritual não é uma esperança para o presente imediato, mas para o futuro distante.
Isto pode parecer pessimismo.
Mas vai desencorajar apenas os que estão oprimidos pela realidade do tempo e não percebem a verdadeira natureza dele.
Nunca é tarde demais, em nenhum período da vida, mesmo na velhice, para percorrer com firmeza o caminho espiritual e obter suas recompensas.
Os que preferem a opinião do seu próprio ego às intuições impessoais do seu Eu Superior, permanecem na escuridão do ego.
Há necessidade de silêncio depois do barulho, de paz depois da agitação, e de reflexão depois da atividade.
"A MORTE NÃO É A MAIOR PERDA:
A MAIOR PERDA DA VIDA É O QUE MORRE
DENTRO DE NÓS ENQUANTO VIVEMOS".
A morte não é mais do que a transição de um estado de consciência o para outro. Todas as vezes que obstruímos a maravilhosa energia vital, impedindo de fluir, criamos uma pequena morte. Quando expandimos a nossa perceção, a parede entre a realidade espiritual e a realidade física, dissolve-se. A morte não é mais do que a libertação da parede da ilusão quando estamos prontos para prosseguir, é ir ao encontro de uma realidade maior.
O corpo físico dissolve-se, mas nós passamos para outro plano de consciência.
Quando deixamos o corpo, sente-se que é um ponto de luz dourada, mas sente-se ainda assim, que somos nós mesmos.
A morte liberta as formas.
O que acontece depois da morte é tão indescritivelmente glorioso que a nossa imaginação e nossos sentimentos não bastam para formar sequer uma concepção aproximada a SEU respeito...
Partir não é mais do que libertar a mente, não é mais do que continuar a viver. Será que alguma vez chegamos a partir?
Carlos Campos

Sem comentários:
Enviar um comentário