sexta-feira, 29 de março de 2013

    PROCURA DO CRISTO INTERNO




 
Existe um trabalho coletivo, uma fronteira que passa da fase experimental para uma fase de maturidade. Essa fronteira marca a transição de um ambiente onde os seres humanos se vão abastecer, regenerar, energizar, numa palavra, curar.
Não podes amar ninguém sem te amares. Não começas a aprendizagem sem primeiro te amares.
Sempre se começa amando o outro na sua totalidade, naquilo que ele revela de pleno e naquilo que ele manifesta de incompleto. É no incompleto do outro que o nosso verdadeiro amor se revela. No entanto, esse  estágio da vida do coração, que é o amor fraterno, marca a vibração dos ímanes dos grupos numa primeira fase vibratória.
Quando nós nos dirigimos à atração da irmandade cósmica, começamos por levar o nosso problema, o nosso processo, e como estes ímanes que estão nos planos internos são uma expressão da Lei da Aceitação, da Compaixão, a tradição diz que: "ninguém que bate à porta deixará de ser aceite". Isto marca uma boa parte da psicologia de grupo no início de um trabalho espiritual.
Há um momento em que um trabalho só pode avançar na sua capacidade de conter a vibração das iniciações que a humanidade procura sem saber.
 Avançar na qualidade de amor que vêm do coração e da mente divina e que precisam de canais vivos para chegar aos outros. E há um momento em que um grupo necessita de passar por uma revolução energética na qual as pessoas começam a ser convidadas a trazer a sua luz, não a sua agitação, o seu problema. Isto só é possível se a lei da compaixão, que consiste em aceitar o outro e todos os seus aspetos, já tiver sido demonstrada por todos os aspetos do grupo.
Um grupo não pode evoluir para um estado de consciência mais profundo, enquanto não excluir a dualidade, a angústia, e sentir que a lei da compaixão já foi demonstrada, ao não excluir ninguém.
Trata-se de nós atrairmos a nossa luz.
Trata-se de crescer ao ponto de chegar a uma consciência no qual a nossa história pessoal ou o nosso passado não conta.
Isso não é um estágio fácil de manter.
Significa que o seu ser pleno de luz e pela luz que ele é, e que ele traz, dá-se uma multiplicação da luz grupal.
Esta parece ser a diferença entre os grupos de ovelhas (em que as pessoas trazem as suas crises e utilizam a experiência do divino como uma compensação) e os grupos de pastores.
O "grupo de pastores" um grupo no qual cada ser entra segurando uma chama, a sua chama, e pertence aos grandes corações livres, combinar as chamas de cada um de nós de uma forma misteriosa e invisível.
Produzir uma tapeçaria de luz com as chamas de cada um de nós cujo desenho necessariamente se expande.
Há seres aqui que estão criando laços internos que vão durar milénios, outros que estão desfazendo laços que duraram milénios.
Esta capacidade de entrar num trabalho trazendo a sua luz, não significa que não possamos ver a situação do outro, a dor do outro, o processo dele, mas a fase em que estamos a entrar é uma fase de observador passivo
Como é que se gera esta luz?
Desistam de olhar para o lado, para trás ou para a frente. Ninguém vai fazer o trabalho por ti.
A viragem da página faz-se quando tu compreenderes que tu vais fazer o trabalho por ti.
Qualquer tentativa de acelerar os outros é uma projeção da tua própria estagnação. Eu tenho que parar e olhar para o meu trabalho que é de uma natureza auto perfuradora e isto é intransmissível.
A fase em que estamos a entrar dá origem a um trabalho que é intransmissível. É parar de falar, de pensar, de ter opinião e olhar para si e perfurar as cataratas internas até sentir essa força dentro dele.
Trata-se de procurar o Cristo interno definitivamente.
hegámos finalmente à condição em que percebemos que um peregrino é um ser que caminha sozinho sem esperar pelos outros.
Não há nada que te impeça  de iniciar e desenvolver a descoberta do ser, a busca interior.
Esse olhar profundo para dentro de nós gera vibração.
O que é que te impede de viver esse mergulho?
NADA!
Este acto fundamental não pode ser transferido para ninguém.
Nós estamos num tempo em que só aqueles que superarem o emocional, o mental e o mental superior vão puder estar de pé, porque as pessoas focadas nos outros planos vão precisar de ajuda.
A pergunta é:
"O que é que tens feito com as tuas horas mais sagradas?
O que é que tens feito com os momentos de ouro, para entrar uma energia superior?"   
"Eu estava lá na altura em que a energia me procurou?"
Então o trabalho atual implica, antes de mais nada,  entrar em ti até ao âmago: na caixa craniana; no tórax; no coração; na pineal. Entrar, entrar, entrar e quando encontrares uma barreira fica ali até que ela se abre, penetrando no silêncio. A realização do Cristo é um assunto individual.
A travessia para os mundos extraterrenos é grupal.
Mas primeiro é necessário compreender que vocês não vêm aqui para realizar o Cristo, é a realização do Cristo em vocês que vos permite vir aqui.
Vibramos em ressonância com a alma e que está impregnado de amor cósmico.
A viajem astral é uma hipotermia espiritual.
Na hipotermia o metabolismo do corpo é sujeito a uma temperatura tão baixa que o sangue concentra-se no coração e no cérebro.
Na viajem astral tu sais realmente do corpo físico.
Implica uma paralisia do sistema nervoso e do cérebro.
A única forma de fazer vibrar a consciência mais profunda é por uma concentração amorosa, secreta, massiva no centro do ser, no Cristo.
Não há cura, não há nada fora do Cristo.
Na lei da compaixão o Cristo vem ao teu encontro mas na lei do amor ele pára e espera que tu vás ao encontro dele.
E quem diz o Cristo diz a energia da Mãe divina.
Há uma luz da luz que suspende a desagregação e a morte.
Mas como é que vamos trazê-la ao de cima?
O trabalho começa quando tu reencontras a tua dignidade: "eu sou uma consciência divina que encarnou num ser humano. Este trabalho de dar à luz o Cristo é individual e cada ser tem de encontrar uma forma de atravessar as membranas, de romper a ilusão.
Cada ser tem de encontrar a forma de gerar o impulso, a vida que rompe com a velha teia. Respira fundo e pede autorização para mergulhar no mistério da vida. Isto tem a ver diretamente com o instinto do sagrado, do superior, do permanente em nós, os mecanismos de auto revelação são postos em movimento.
É quando um ser tem autorização e aceita mergulhar, a magia da criação abre o portal da cura pelo amor. A aventura é demasiado preciosa. O tempo é demasiado urgente. É de uma beleza indizível o que podem encontrar.
E se na primeira expedição tiverem que voltar para trás porque a sonolência, a inércia, os hábitos, o medo, a tendência repetitiva ou as imagens de infância, porque todos nós herdamos auto imagens distorcidas pelos nossos pais, pelos avós, se essas imagens conseguirem outra vez vos prender, então venham, voltem para casa, façam o prato de flocos de aveia com iogurte e nozes e voltem lá outra vez.
Sempre!
Mas eu posso dizer: "eu não encontro, eu não sinto, não acontece".
Eu tenho que saber que, se eu for fiel e se fizer isso sem nenhuma motivação exterior, mas porque é o único caminho para mim, então eu vou conseguir.
Então tu precisas estar quieto e ouvir a VOZ.
Quando a consciência entra ainda num nível mais interno, o corpo é posto em movimento e aí não se sente mais depressão, angústia ou tristeza.
É um plano afetivo de consciência que cura o corpo.
A experiência de mal-estar emocional é estabilizada.
Nós, como grupo, temos facilidade de ir ao encontro do Cristo centrar-nos na sua chama. Não olhes para nada, olha para ti.
Tu tens uma oportunidade, o que equivale a dizer que tens um trabalho para fazer, o que implica que estás em movimento.
Isto está à tua frente agora.
Perdoem ao mundo.
Sejam o Amor.
Plantem a flor de vocês mesmos.
Tragam o mundo para a consciência da compaixão.
Encontremos o centro.
Façamos a ligação entre o possível e o impossível.
O próximo passo é começar a viver o desdobramento e a multidimensionalidade.
Vocês vão encontrar o Cristo sozinhos.
Cada um de nós precisa de aprender a andar com Deus sozinho. Isso implica uma capacidade individual de encontrar o Cristo sozinho.
É no silêncio que está o grande alimento da alma.
É no deserto do silêncio que começas a sentir a voz e sem ouvir esta voz tu não tens luz para dar.

Carlos Campos

 

 

 

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